Archive for Agosto, 2008
Sexta-feira, Agosto 15th, 2008
A relação entre a compra de votos e a corrupção política
| 06/08/2008 |
| A relação entre a compra de votos e a corrupção política Por: Volmir Sabbi* |
| Nesse momento de início do processo eleitoral nos municípios, ganha importância, novamente, a necessidade do debate a respeito da compra de votos. Essa prática, além de ilegal é imoral, pois representa uma forma de abuso do poder econômico no desvirtuamento da vontade da população no processo de escolha de seus governantes. Essa prática tem, lamentavelmente, se apresentado como de utilização crescente nos últimos processos eleitorais brasileiros. A compra de votos deturpa e corrompe o processo de representação democrática. Em um regime democrático, é através da eleição que os cidadãos escolhem aqueles que melhor representarão seus interesses e princípios. Esses representantes irão decidir em seu nome. Logo, deve haver uma identidade e uma proximidade ideológica entre representado e representante. A compra de votos quebra a legitimidade dessa representação. É senso comum no Brasil a idéia de que os políticos fazem parte de um agrupamento que desfruta de pouca credibilidade. Esse senso comum afirma que não se sente representado pela classe política. Mas, quem foi que escolheu cada representante político? Não foi a própria população que depois se diz não representada? É importante que fique claro a importância que tem a política em seu sentido mais amplo: de mediação das relações entre os elementos e agrupamentos em uma sociedade. Todas as regras de convivência em sociedade são definidas pela política, sejam regras penais, econômicas, sociais, culturais, esportivas, etc. Nesse sentido não existem sujeitos apolíticos. Quem busca se classificar dessa forma, assume, na realidade, uma posição política: a de concordância com o que está posto e com a aceitação da decisão dos demais. Assume o ônus e o bônus de sua postura de omissão. Dessa forma, ao se permitir que a escolha dos representantes políticos se faça com a importância crescente do estratagema da compra de votos, a sociedade está, de fato, pondo-se à venda. A compra de votos submete, progressivamente, a decisão do destino de uma coletividade de acordo com os interesses dos detentores do poder econômico. Como é que se explica que alguém gaste numa campanha eleitoral muito mais dinheiro do que irá receber de subsídios ao longo de seu mandato? Parece lógico supor que quem faz isso pode estar tencionando recuperar o dinheiro de outra forma. Esse círculo vicioso espúrio se auto-alimenta. O cidadão desavisado vende seu voto na busca um benefício momentâneo e egoísta. Ao fazer isso compromete um projeto de longo prazo e de interesse coletivo. O político desonesto se corrompe, pois precisa do dinheiro para comprar votos no próximo pleito eleitoral. A sociedade precisa dar um basta nisso. Precisamos dar início a um círculo virtuoso, onde as pessoas se importem em discutir as questões políticas e pensem no interesse coletivo. Que as escolhas dos representantes sejam pelas suas qualidades e pelas suas propostas de trabalho. Que esse pleito eleitoral seja a oportunidade da sociedade pato-branquense escolher seus representantes sem a interferência espúria da compra de votos. (*) Volmir Sabbi é professor e vereador do PT em Pato Brancono Paraná |
Segunda-feira, Agosto 4th, 2008

Domingo, Agosto 3rd, 2008
Sem frescura, o PT e a Cultura
Sem frescura, o PT e a Cultura
Por José Ribamar Mitoso* Sempre que escrevo uma besteira eu pago caro, mas como besteira é algo inevitável que eu escreva, vivo pagando caro, embora seja mais fácil combater em mim a besteira do que o ato de escrever. Sobre isto, não está ao alcance de ninguém. Besteira eu posso evitar, às vezes; Mas querer que eu não escreva, é melhor que tirem de mim o sexo e o tabaco. Como, segundo Moliere, o homem sem tabaco não merece viver, e como, segundo Freud, o homem sem sexo também não, segundo essa pessoa que sou eu mesmo um escritor que não escreva também não merece tabaco, nem sexo. Daí que, para não ficar sem tabaco, nem sem sexo, eu escrevo, embora reconheça que outras pessoas escrevam por motivos mais relevantes. Mas eu sou assim e não fui que me fiz. Então, que é que eu posso fazer? Muito prazer!
Creio que a próxima besteira que escreverei ou escrevo é esta mesma: O PT é o único partido da América Latina que, no acúmulo do debate coletivo, conseguiu formatar uma política cultural da sociedade para a sociedade, da sociedade para o Estado e do Estado para a sociedade. A única besteira que não cometemos foi cair na tentação fascista de uma política cultural do Estado para o Estado. Nisto somos os campeões e estamos todos de parabéns. Obrigado!
Sabemos que a partir de 2003, a relação cultural entre a sociedade e o Estado deu um giro sobre os próprios pés. Não quero retomar aqui, puxando a brasa para o meu pirarucu, a Constituição amazonense de 1990, na qual o nosso movimento escreveu o marco legal que inspirou a atual política cultural participativa do governo Lula. Não quero comentar a nossa presença, organizada, na Conferência PT-Amazônia (2003), nem muito menos ainda a nossa presença no seminário sobre Cultura Popular (2003) ou sobre nossa insistência na I Conferência Nacional de Cultura (2005). Como só se vive o momento, quero tratar da questão das “linhas de crédito” para artistas e dos financiamentos “à fundo perdido”, para o capitalismo da indústria da cultura. Este debate surgiu no encontro de Belo Horizonte e foi retomado em Fortaleza, durante os encontros para a formatação popular do novo Plano Nacional de Cultura.
Creio que a primeira vantagem da participação popular é exatamente esta do debate público, democrático, aberto e sem posicionamentos pré-concebidos. Nisto, eu aposto. Por isso, em homenagem a democracia popular, quero debater o financiamento público para empresas da indústria cultural, em primeiro lugar, e, ao depois, a “casca de banana” do endividamento embutido na “linha de crédito” para artista.
O discurso da cultura neoliberal, no geral, era satanizando a interferência do Estado na esfera econômica. Como não se pode confiar em burguês, falavam isso, enquanto privatizavam os investimentos públicos e as renúncias fiscais. Os dados estão disponíveis no sítio do Ministério da Cultura, assim como a estúpida concentração de renda e o grau de informalidade. Nossa política foi na direção inversa: a de democratizar as decisões para democratizar os recursos e para combater a desigualdade regional.
Por isso, creio ser o momento de tentar uma solução também inversa: deixem que o capitalismo sobreviva “no” e “do” mercado. No máximo, devemos qualificar as empresas para disputarem Linhas de Créditos nos bancos de investimento, oficiais ou privados. Quantos aos artistas, estes sim, já há algum tempo, pela resistência (e pelo CERASA), merecem investimento “a fundo perdido”.
No encontro da nova direção da Secretaria Nacional de Cultura, talvez este tema, mesmo de última hora, possa entrar na pauta. Seja qual for o debate em torno da política de financiamento das atividades culturais, será em torno desta disputa Capital x Trabalho por verbas públicas que o nó será ou não desatado. O resto vem em torno.
Portanto, pago caro, mas escrevo as minhas besteiras e esta é uma dela: a riqueza pública é finita e a disputa se dá no plano (desculpem!) da Luta de Classes. Devo pagar caro por mais esta besteira: em toda a América Latina, só no PT este debate público é possível. Penso isto, mas não esqueçam: escrevo mesmo é para não ficar sem sexo, nem tabaco!
*José Ribamar Mitoso, escritor, dramaturgo, Professor da UF Amazonas, Mestre em Literatura Amazônica, ex-presidente do sindicato dos escritores, ex-conselheiro gestor do Fundo de Cultura de Manaus e três prêmios FUNART - Ministério da Cultura de Teatro.
Domingo, Agosto 3rd, 2008
Vejam isso
| “Minha aliança com Micarla foi sem traumas” | |||
O senador José Agripino Maia (DEM) acredita que a campanha de Micarla de Sousa (PV) a prefeita de Natal ‘‘embalou’’ e está conquistando a simpatia da população. Nesta entrevista, em que o senador se coloca na condição de um dos principais aliados da candidata, José Agripino reage ao que classifica como tentativa de transferir o debate eleitoral para o plano federal, defendendo que se o presidente Lula vier a Natal para subir no palanque da deputada Fátima Bezerra (PT) terá que ter cuidado para não prejudicar sua relação com partidos que estão na base do governo federal. ‘‘Se Lula vem, ele tem que ter muito cuidado para não ferir correligionários como PV, PMN, PTB, PP e PR, que dão suporte político a ele’’, declarou. José Agripino comentou ainda o cenário para as eleições de 2010 e o indiciamento de ex-integrantes do governo do estado e do filho da governadora Wilma de Faria (PSB), Lauro Maia, na Operação Hígia. O Poti - Como o senhor avalia a campanha de Micarla de Sousa (PV), passado este primeiro mês? O Democratas vem participando ativamente das mobilizações… Como o senhor avalia as críticas de que o prefeito Carlos Eduardo tem feito à atuação de Micarla como parlamentar? A aliança que existe hoje em torno da candidatura de Micarla de Sousa foi feita com vistas a 2010? A senadora Rosalba Ciarlini diverge do senhor nos apoios a candidatos a prefeito de várias cidades do interior. Por que isso ocorre? A senadora Rosalba tem cumprido uma agenda intensa no interior do estado e agora participa ativamente na campanha de Natal. Ela está cumprindo uma agenda de candidata ao governo do estado? Além da senadora Rosalba, que é citada como possível pré-candidata a governadora, há na aliança as pré-candidaturas dos deputados Robinson Faria e João Maia. Como deverá ser a escolha da candidatura do grupo? Existe a expectativa na coligação em torno da candidatura de Fátima Bezerra (PT) de que o presidente Lula virá a Natal agora em agosto para pedir votos para a candidata. O senhor acredita na vinda de Lula? Que peso a presença dele pode significar na disputa municipal? O acordo político em torno da deputada Fátima Bezerra foi fechado sob o argumento de que unia os partidos da base do presidente Lula. Como o senhor avalia esse argumento? Há uma tentativa de federalizar a eleição? Na última pesquisa publicada n’O Poti, para as eleições de 2010, o senhor aparece com mais intenções de voto do que a governadora Wilma de Faria (PSB). A que o senhor credita esse resultado? Na última quarta-feira houve o indiciamento de ex-integrantes do governo estadual e do filho da governadora Wilma de Faria, Lauro Maia, por envolvimento na Operação Hígia. Isto compromete o governo? Mas o indiciamento do filho da governadora e de ex-integrantes da administração compromete o governo? A suspeita já vem atingindo o governo? Como o senhor vê o indiciamento de mais da metade dos vereadores da Câmara Municipal de Natal por corrupção, na Operação Impacto? A Operação Impacto vai repercutir nas eleições em Natal? Mas não serão, provavelmente, concluídos a tempo. No caso do mensalão, por exemplo, muitos dos envolvidos não foram reeleitos antes dos processos transitarem em julgado. Pode ocorrer o mesmo na eleição em Natal? Juliska Azevedo e Flávia Urbano |
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